A liberdade de imprensa constitui um dos pilares mais sólidos das democracias modernas. É por meio dela que governos são fiscalizados, instituições são questionadas, denúncias vêm à tona e a sociedade permanece informada sobre os fatos que impactam sua vida cotidiana.
Sem imprensa livre, a história demonstra, prosperam o silêncio, a censura e o abuso de poder.
Entretanto, como todo direito essencial, a liberdade de imprensa também carrega consigo responsabilidades igualmente profundas.
O jornalismo, em sua essência clássica, não deve servir ao linchamento moral, ao preconceito ideológico ou à desconstrução pessoal baseada apenas em convicções particulares do repórter ou da linha editorial de um veículo.
O dever da imprensa é informar, contextualizar, investigar e ouvir todos os lados — jamais substituir o julgamento da sociedade por narrativas previamente construídas.
Ao longo das últimas décadas, especialmente com o avanço da velocidade digital, parte da comunicação contemporânea passou a flertar perigosamente com os extremos.
Em muitos casos, a busca pela audiência imediata, pelo impacto das manchetes ou pela polarização do debate público acabou produzindo um ambiente em que opiniões pessoais passaram a se misturar à cobertura factual. E quando isso acontece, o jornalismo perde parte de sua credibilidade histórica.
No Mato Grosso do Sul, esse fenômeno tem sido observado por diferentes setores da sociedade em relação ao empresário e pesquisador Urandir Fernandes de Oliveira.
Figura conhecida nacionalmente, fundador do Ecossistema Dakila e responsável por projetos que movimentam turismo, tecnologia, pesquisas independentes e iniciativas econômicas em diversas regiões do Estado; do Brasil e até do mundo; Urandir frequentemente se vê no centro de reportagens marcadas mais pelo tom de desconfiança e ironia – ou deboche -, do quê pela análise equilibrada dos fatos.
É legítimo que a imprensa questione teorias, projetos, linhas de pesquisa e até mesmo crenças defendidas por grupos ou instituições. O debate crítico faz parte da natureza jornalística.
Contudo, é fácil para um observador atento apontar que parte da imprensa sul-mato-grossense parece ultrapassar a fronteira da crítica jornalística e ingressar em um território de evidente má vontade editorial.
Ao concentrar suas abordagens apenas nos aspectos polêmicos das ideias defendidas por Dakila Pesquisas, alguns veículos acabam ignorando uma dimensão concreta e inegável: a capacidade empreendedora de Urandir Fernandes de Oliveira.
Independentemente das divergências sobre suas crenças ou pesquisas, trata-se de um empresário que construiu uma estrutura capaz de gerar milhares de empregos diretos e indiretos, fomentar o turismo regional, impulsionar atividades econômicas em municípios do interior e atrair visitantes de diversas partes do Brasil.
A Cidade Zigurats, em Corguinho, por exemplo, transformou-se em um polo turístico alternativo conhecido mundialmente, movimentando setores como hotelaria, alimentação, transporte, comércio, arte e artesanato, e prestação de serviços.
Eventos promovidos pelo Ecossistema Dakila reúnem milhares de pessoas e geram impacto econômico significativo para a região. Ainda assim, raramente esses aspectos recebem destaque por parte dos veículos de comunicação local.
O jornalismo responsável não deve abandonar a crítica, mas precisa preservar a proporcionalidade. Questionar é legítimo; ridicularizar permanentemente, não é. Em um ambiente democrático maduro, é possível discordar de ideias sem negar resultados econômicos, sociais e estruturais produzidos por quem empreende.
A liberdade de imprensa continuará sendo indispensável para a sociedade. Mas ela se fortalece ainda mais quando exercida com equilíbrio, honestidade intelectual e compromisso genuíno com a verdade completa — inclusive quando essa verdade exige reconhecer méritos em personagens frequentemente tratados apenas sob o prisma da controvérsia.
Rogério Alexandre Zanetti


