Há algo curioso acontecendo —
não sei se você percebeu,
mas o Brasil se dividiu
sem decreto, sem aviso, sem troféu.
E a explicação é simples, direta, quase um retrato:
metade do povo está com problema com o Vorcaro,
e a outra metade com o Monjaro.
De um lado, o povo do Vorcaro,
com discurso disciplinado e raro:
fala em meta, taxa e aplicação,
como quem resolve a vida com organização.
Do outro, o povo do Monjaro,
que vive num pacto meio claro:
“agora vai, agora encaixo”,
mas o botão da calça segue em desacordo com o braço.
É uma luta silenciosa, cotidiana,
travada entre a carteira e a banana,
entre o PIX e o prato cheio,
entre o “só hoje” e o “já passou do meio”.
Quem é do Vorcaro anda ereto, confiante,
fala em rendimento como quem fala de amante,
tem planilha que sorri,
e saldo que raramente diz “não vi”.
Já o do Monjaro acorda decidido,
olha o espelho — meio convencido,
promete café sem açúcar, heroico,
e às dez já negocia com o pão — diplomático e lógico.
E o país segue assim, equilibrado no improviso,
um tentando crescer no lucro,
o outro tentando caber no juízo.
Mas há um ponto de encontro — sempre há:
o tal do “agora vai”.
Que não vai.
Mas também nunca sai.
Porque o brasileiro, no fundo, é insistente:
se não resolve, promete.
Se não emagrece, começa.
Se não enriquece, investe… na próxima conversa.
E no meio disso tudo, a vida passa — ligeira,
com notícia ruim na primeira
e meme salvando a sexta-feira inteira.
Talvez o problema não seja o Vorcaro, nem o Monjaro.
Talvez seja essa nossa mania bonita
de acreditar que segunda-feira resolve o que sexta complica.
E assim seguimos —
uns com a conta cheia,
outros com a barriga cheia,
mas todos com alguma esperança… meio sem receita.
Porque no Brasil, meu amigo,
até o caos tem ritmo,
até o exagero tem rima,
e até a promessa… se estima.
E se não deu certo hoje —
calma.
Segunda a gente começa.
De novo.
Autor: João Roberto Giacomini, advogado e escritor


