Foi assinado pela Prefeitura de Campo Grande, nesta terça-feira (28), convênio com a Maternidade Cândido Mariano para atender às mães atípicas na Capital. O acordo garante repasse mensal à entidade e integra o novo modelo estruturado pelo município para dar mais agilidade, organização e cuidado contínuo a essas famílias.
O objetivo é acelerar a entrega de fraldas e dietas especiais, além de qualificar o atendimento de crianças de 0 a 12 anos. Após essa faixa etária, o acompanhamento segue diretamente pelo Núcleo de Apoio às Mães Atípicas (Nama).
Durante a assinatura, a prefeita destacou que a iniciativa é resultado de um trabalho técnico e da busca por alternativas viáveis para um desafio histórico.
“Buscamos referências no país e não encontramos um modelo como este. Estamos construindo uma solução com responsabilidade na aplicação do recurso público e com o apoio dos órgãos de controle, dando um encaminhamento estruturado e permanente a uma demanda importante, que exige atenção”, afirmou Adriane Lopes.

Para a direção da Maternidade Cândido Mariano, o convênio reforça o alcance de um trabalho já desenvolvido pelo município. “O objetivo é contribuir com o que já está sendo feito, ampliando o acolhimento dessas famílias com uma equipe multidisciplinar. A maternidade entra como parceira para somar nesse atendimento, especialmente na organização das demandas e no suporte às famílias”, explicou o diretor-presidente Daniel Gonçalves de Miranda.
Levantamento inicial do Nama identificou 614 casos de mães atípicas entre mais de 4.400 processos judiciais ativos relacionados a fraldas e dietas até dezembro de 2025. A prefeitura também iniciou um censo inédito para mapear essas famílias, com o objetivo de aprimorar o planejamento e direcionar melhor os recursos públicos.
A defensora pública Eni Maria Sezerino Diniz, coordenadora do Núcleo de Atenção à Saúde da DPMS, destacou que a iniciativa é fruto de articulação entre os setores para enfrentar um cenário complexo. “Foi uma construção coletiva, porque não é uma situação que se resolve de forma isolada. A proposta é organizar esse fluxo, reduzir a judicialização e dar mais eficiência ao atendimento, com um olhar mais adequado para essas famílias”, pontuou.

O secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, ressaltou que o convênio fortalece a capacidade de resposta do município ao integrar diferentes áreas no cuidado. Já a secretária-adjunta Ivone Nabhan destacou que o modelo amplia o atendimento, especialmente na primeira infância, com mais humanização e continuidade.
O cadastramento já está em andamento e pode ser feito pelo telefone (67) 99179-5948, canal pelo qual as mães atípicas podem se inscrever no NAMA e acessar os serviços oferecidos.
A iniciativa amplia uma política já em andamento, coordenada pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) por meio do Nama, criado em outubro de 2025. Com a parceria, o atendimento também passa a ser realizado dentro da maternidade, com equipes multiprofissionais formadas por assistentes sociais, psicólogos e pediatras, reforçando o acolhimento e o acompanhamento.


