Em meio à repercussão da Operação Antidotum, o deputado federal Dr. Luiz Ovando, do Progressistas de Mato Grosso do Sul, pediu uma auditoria completa na aplicação de todos os recursos de origem parlamentar destinados à Santa Casa de Campo Grande.
Segundo ele, a fiscalização deve alcançar também as emendas indicadas pelo seu
próprio mandato. A proposta é que os órgãos competentes apresentem à população um levantamento detalhado, informando quanto foi recebido, qual era a finalidade de cada recurso, onde o dinheiro foi aplicado e o que efetivamente foi entregue aos pacientes.
“Quero que todos os recursos enviados pelos parlamentares sejam auditados, inclusive
os que destinei. A população tem o direito de saber onde cada real foi aplicado, quais
serviços foram realizados e quais benefícios chegaram aos pacientes”, afirmou Ovando.
A manifestação ocorre após a operação conduzida pelo Grupo Especial de Combate à
Corrupção e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado.
Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, foram cumpridos seis mandados
de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão.
A investigação apura possíveis fraudes em um contrato de digitalização de prontuários e
em contratos celebrados pela Operadora Santa Casa Saúde. O prejuízo apurado até o momento supera R$ 4,9 milhões, mas o valor total ainda está sendo calculado.
As informações divulgadas oficialmente não relacionam as suspeitas às emendas
parlamentares. A Santa Casa informou que está colaborando com as autoridades,
aguarda acesso aos autos e mantém os atendimentos normalmente.
O pedido de Ovando ganha outro contexto diante da relação de mais de cinco décadas
que ele mantém com o hospital. Sua aproximação com a Santa Casa não nasceu com o mandato nem foi construída em período eleitoral.
A história começou em 1972, quando ele chegou à instituição como acadêmico de
Medicina. Em 1974, passou a trabalhar no hospital com carteira assinada. Em 1980,
ingressou no corpo clínico e, 15 anos depois, recebeu o título de sócio benemérito.
Em 1998, assumiu a coordenação do Programa de Residência em Clínica Médica. Entre 1999 e 2019, permaneceu à frente da formação de mais de 20 turmas de médicos residentes. Depois de aposentado, prestou trabalho voluntário, sem remuneração,
durante 13 anos, contribuindo com o atendimento aos pacientes e com a formação de novos profissionais.
“Minha história com a Santa Casa não começou na política. Começou em 1972, quando eu ainda era acadêmico de Medicina. Trabalhei com carteira assinada, fiz parte do corpo clínico, formei médicos e permaneci durante 13 anos como voluntário. É justamente por conhecer e respeitar essa instituição que considero indispensável esclarecer onde os recursos foram aplicados”, declarou.
Segundo levantamento do mandato, Luiz Ovando já destinou mais de R$ 7,1 milhões
diretamente à Santa Casa. Durante o governo Bolsonaro, o deputado também participou,
em Brasília, da articulação de aproximadamente R$ 23 milhões em benefícios para a instituição.
Para Ovando, o volume de recursos públicos amplia a obrigação de fiscalizar sua
aplicação e prestar contas à sociedade. Por isso, ele defende que nenhuma emenda seja
poupada da auditoria, independentemente do partido ou do parlamentar que tenha feito a
indicação.
“Fiscalização não pode escolher nome nem partido. Que comecem pelos recursos que eu destinei. Não tenho nada a esconder e quero que a população conheça o destino e o resultado de cada investimento”, disse.
A principal preocupação do deputado é que a repercussão das investigações provoque a
suspensão ou a redução de novos recursos para o hospital. Na avaliação dele, qualquer
irregularidade deve ser apurada com rigor, mas a população não pode sofrer com a
diminuição dos atendimentos.
“A Santa Casa não pode ser confundida com qualquer pessoa que esteja sendo
investigada. Gestores passam, mas a instituição permanece e continua sendo essencial
para Mato Grosso do Sul. É preciso investigar, identificar responsabilidades e prestar
contas, sem abandonar os profissionais e os milhares de pacientes que dependem desse
hospital”, ressaltou.
Para Ovando, uma prestação de contas clara ajudará a separar a instituição dos fatos atribuídos a seus gestores, dará segurança aos futuros repasses e mostrará à população o
destino de cada recurso. A transparência, segundo o deputado, é a melhor forma de
preservar a Santa Casa e garantir que o dinheiro público seja transformado em
atendimento para quem precisa.






