Democratas conquistam o Congresso e impõem derrota a Trump

Léo Santos

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O Partido Democrata assegurou a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira (3). A vitória, confirmada na madrugada desta quarta-feira (4), retira dos republicanos o controle do Congresso e impõe um revés ao presidente Donald Trump.

A nova composição assume em janeiro de 2027 e terá influência sobre os dois últimos anos do mandato presidencial. Com a oposição à frente das duas Casas, o governo enfrentará mais dificuldades para aprovar suas propostas e dependerá de negociações com os adversários.

No Senado, a bancada democrata alcançou 54 das 100 cadeiras, superando os 51 assentos necessários para formar maioria. O partido havia vencido 20 das disputas deste ano, incluindo sete por vagas que estavam nas mãos dos republicanos.

Na Câmara, os democratas conquistaram 25 distritos anteriormente controlados pelo partido de Trump, distribuídos por mais de dez estados. A legenda ultrapassou os 218 assentos necessários para comandar a Casa, composta por 435 representantes.

O balanço parcial da apuração era o seguinte: The Guardian

CasaDemocratasRepublicanosVagas indefinidas
Senado54442
Câmara22813968

Após a confirmação da derrota republicana, Trump afirmou ao jornal The New York Times que estava disposto a reconhecer o resultado e a trabalhar com os democratas. “Estou absolutamente disposto a aceitar esses resultados”, declarou.

O presidente também disse acreditar na possibilidade de entendimentos com a oposição. A declaração ocorreu depois de ele ter condicionado, dias antes, o reconhecimento da votação à avaliação de que as eleições fossem “limpas”.

Ao mesmo tempo em que acenou para o diálogo, Trump indicou que poderá usar o poder de veto para barrar propostas dos adversários. Após os primeiros resultados desfavoráveis aos republicanos, publicou nas redes sociais a imagem de um boné vermelho com a palavra “veto”.

A estratégia já havia sido antecipada em entrevista ao podcast Pod Force One, do New York Post. Na ocasião, o presidente afirmou que poderia se tornar o “Sr. Veto” e sustentou que sucessivas rejeições a projetos levariam os democratas à mesa de negociação.

O avanço da oposição no Senado incluiu vitórias em estados de tradição conservadora. No Texas, James Talarico derrotou o procurador-geral Ken Paxton, que recebeu o apoio de Trump depois de superar o senador John Cornyn nas primárias republicanas.

A escolha de Paxton havia provocado resistência entre dirigentes do próprio partido. Cornyn e outras lideranças alertaram durante a disputa interna que o procurador-geral poderia enfrentar dificuldades na eleição geral.

Na Carolina do Sul, a democrata Annie Andrews venceu Darline Graham, também apoiada pelo presidente. A republicana ocupava interinamente a cadeira anteriormente exercida pelo irmão, Lindsey Graham, morto neste ano.

Em Ohio, Sherrod Brown derrotou o senador republicano Jon Husted, apesar das visitas de Trump ao estado para reforçar a campanha do aliado. Os democratas também conquistaram uma cadeira que pertencia aos republicanos na Carolina do Norte.

Além de avançar sobre vagas adversárias, o partido preservou assentos importantes. Na Geórgia, Jon Ossoff foi reeleito ao superar o deputado Mike Collins. Em New Hampshire, Chris Pappas venceu o ex-senador John Sununu e sucederá a democrata Jeanne Shaheen, que deixará o Senado.

Também foram reeleitos Cory Booker, em Nova Jersey, Ed Markey, em Massachusetts, e John Hickenlooper, no Colorado. Em Illinois, Juliana Stratton venceu a disputa pela cadeira do democrata Dick Durbin.

Conhecidas como midterms, as eleições ocorrem na metade do mandato presidencial e renovam integralmente a Câmara dos Representantes, cujos integrantes têm mandatos de dois anos. No Senado, os mandatos duram seis anos, com renovação de aproximadamente um terço das vagas a cada eleição.

Neste ano, os eleitores escolheram representantes para as 435 cadeiras da Câmara e para 35 dos 100 assentos do Senado. O resultado altera o equilíbrio político em Washington e amplia a capacidade da oposição de influenciar a agenda do governo.