A agroindústria de Mato Grosso do Sul foi a principal responsável pelo desempenho recorde das exportações industriais do Estado entre janeiro e julho de 2026. Lideradas pela celulose, carnes, derivados de soja e setor sucroenergético, as vendas externas da indústria somaram US$ 4,68 bilhões no período, o maior valor já registrado para os sete primeiros meses do ano.
Os dados são do Observatório da Indústria da Fiems, com base nas informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). No acumulado de janeiro a julho, os produtos industriais responderam por 65% de toda a receita obtida por Mato Grosso do Sul com exportações.
Somente em julho, as vendas de produtos industrializados ao exterior movimentaram US$ 850,5 milhões. O resultado também estabeleceu um recorde mensal na série histórica e representou crescimento de 29% em comparação com julho do ano passado.
A celulose e o papel aparecem na liderança da pauta industrial sul-mato-grossense, com US$ 1,838 bilhão exportado nos primeiros sete meses de 2026, equivalente a 39% do total. As pastas químicas de madeira concentraram 99,3% das vendas externas do segmento.
Logo depois está o complexo frigorífico, que movimentou US$ 1,695 bilhão e respondeu por 36% das exportações industriais. As carnes bovinas desossadas e congeladas representaram 61% das vendas do setor, enquanto as carnes bovinas desossadas e refrigeradas ficaram com 17%. Coxas e sobrecoxas de frango desossadas e congeladas tiveram participação de 4%.
Outro segmento ligado diretamente ao agronegócio que se destacou foi o de óleos vegetais e produtos derivados da extração, com exportações de US$ 517 milhões, ou 11% do total industrial. Os principais produtos comercializados foram bagaços e resíduos da extração do óleo de soja, com 43%; óleo bruto de soja, com 24%; e farinhas e pellets derivados da extração do óleo de soja, com 21%.
O setor de açúcar e álcool movimentou outros US$ 209,1 milhões, representando 4% das exportações industriais. Os açúcares de cana responderam por 80% das vendas do segmento, enquanto o álcool etílico com teor de água inferior a 1% teve participação de 9%.
Também aparecem entre os principais grupos exportadores a indústria extrativa mineral, com US$ 136,7 milhões; siderurgia, metalurgia e metalmecânica, com US$ 115,7 milhões; couros e peles, com US$ 46,1 milhões; e alimentos e bebidas, com US$ 38,4 milhões. Os demais produtos industriais movimentaram aproximadamente US$ 85 milhões.
A China permaneceu como o maior mercado para os produtos industrializados de Mato Grosso do Sul. Entre janeiro e julho, o país asiático comprou US$ 1,635 bilhão em mercadorias produzidas no Estado.
Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com US$ 453,5 milhões, seguidos pelos Países Baixos, com US$ 270,5 milhões, e pela Itália, com US$ 259,5 milhões. Completam a lista dos dez principais destinos Turquia, Índia, Chile, Argentina, Uruguai e Arábia Saudita.
O desempenho dos segmentos ligados ao campo evidencia o peso da agroindústria na pauta exportadora sul-mato-grossense. Somados, celulose e papel, complexo frigorífico, óleos vegetais e derivados, além de açúcar e álcool, concentraram cerca de 90% da receita obtida pela indústria estadual com vendas ao exterior nos primeiros sete meses de 2026.


