A raiva continua sendo uma das doenças mais letais que afetam animais e seres humanos e, apesar da redução dos casos em cães e gatos graças às campanhas de vacinação, o risco permanece, principalmente devido à circulação do vírus em morcegos.
O alerta é do médico-veterinário Naelton de Oliveira Alves, que é especialista em clínica, emergência e terapia intensiva de pequenos animais da Pet Club Clínica Veterinária 24h, reforçando a importância da prevenção e da imunização anual de cães e gatos.
Segundo o especialista, a raiva é uma doença viral que provoca inflamação no sistema nervoso central de mamíferos e apresenta taxa de letalidade próxima de 100%, tanto em animais quanto em pessoas. “Hoje, a principal forma de prevenção continua sendo a vacinação. Não existe tratamento padronizado e eficaz para a doença após o aparecimento dos sintomas”, destacou.
Ele explica que, por muitos anos, os cães foram os principais transmissores da doença aos humanos. Com o avanço das campanhas de vacinação, esse cenário mudou e os morcegos passaram a representar o principal reservatório do vírus.
“O contato não acontece apenas com morcegos hematófagos. Espécies que se alimentam de frutas ou insetos também podem estar infectadas e transmitir o vírus por mordidas, arranhões ou contato com saliva”, detalhou.
O veterinário alerta que um morcego encontrado caído no chão pode estar doente e não deve ser manipulado pela população. A recomendação é acionar os órgãos responsáveis para a captura e avaliação do animal.
Sintomas exigem atenção
Nos cães e gatos, os sinais clínicos costumam evoluir de forma gradual. Inicialmente, o animal pode apresentar perda de apetite e mudanças de comportamento, evoluindo para agressividade, alterações neurológicas, convulsões e perda de consciência.
De acordo com o especialista, como os sintomas podem ser semelhantes aos de outras doenças, é fundamental informar ao veterinário se houve contato recente com morcegos ou outros animais suspeitos.
“A principal suspeita vem do histórico do animal. Ao perceber qualquer alteração, ele deve ser levado imediatamente ao atendimento veterinário para avaliação segura”, orientou.
Vacinação deve ser anual
A primeira dose da vacina antirrábica deve ser aplicada entre 90 e 120 dias de vida, com reforço anual durante toda a vida do animal.
O médico-veterinário ressalta que muitas pessoas procuram a vacina apenas para cumprir exigências de viagens ou hospedagem em hotéis para pets, mas a imunização protege não apenas o animal vacinado, como também ajuda a reduzir a circulação do vírus na população.
“A imunidade coletiva protege inclusive animais que, por algum motivo, não foram vacinados. Mas isso não pode servir de justificativa para deixar de vacinar. A proteção da comunidade depende da participação de todos”, afirmou.
Ele lembra ainda que a vacina não produz imunidade imediata. Após a aplicação, o organismo leva cerca de três semanas para desenvolver proteção, motivo pelo qual ela deve ser feita preventivamente e não apenas após uma situação de risco.
Cuidados em casa
Além da vacinação, o veterinário recomenda evitar que cães e gatos tenham acesso à rua sem supervisão, impedir contato com animais errantes e observar a presença de morcegos nas proximidades da residência, principalmente em locais com árvores frutíferas, jardins ou construções abandonadas.
Caso uma pessoa ou um animal seja mordido por um morcego ou por um animal com suspeita de raiva, a orientação é procurar imediatamente o serviço de saúde ou atendimento veterinário. No caso de humanos, existe protocolo de vacinação e aplicação de soro antirrábico após a exposição.
Por fim, o especialista reforça que o combate à doença depende tanto das ações do poder público quanto da responsabilidade dos tutores. “A vacina está disponível, há campanhas de orientação e estrutura para atendimento. O que falta muitas vezes é que a população compreenda seu papel na prevenção. Quando falamos de raiva, prevenir é a única forma realmente eficaz de evitar uma doença que continua sendo praticamente fatal”, concluiu.


