Sem Fábio Trad no governo Lula, PT de MS pode perder força em Brasília

Léo Santos

Se o ex-deputado federal Fábio Trad ficar fora do quarto governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o PT de Mato Grosso do Sul perde a chance de ter no Executivo federal um interlocutor que já trabalhou na atual gestão e levou a legenda ao segundo lugar na disputa pelo governo estadual.

A possibilidade de uma nomeação ganha peso porque a bancada petista de Mato Grosso do Sul no Congresso vai encolher em 2027. Presidente estadual do PT, o deputado federal Vander Loubet defendeu espaço para Trad e para a senadora Soraya Thronicke (PSB) em 26 de outubro, um dia depois da reeleição de Lula.

“Posso garantir que vão ocupar espaço”, disse, ao citar a atuação dos dois na campanha presidencial. Na ocasião, Vander afirmou que as negociações ainda não haviam começado. O deputado estadual reeleito Zeca do PT também defendeu a ida de Trad.

Já Trad disse que avaliaria um eventual convite e que sua prioridade era retomar a advocacia. Até esta quinta-feira (5), o Planalto ainda não havia anunciado um convite.

No entanto, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, começou a ouvir dirigentes de outras legendas sobre a composição do governo e o apoio que podem oferecer a Lula no Congresso.

Trad obteve 322.807 votos, ou 23,68% dos válidos, na eleição vencida no primeiro turno por Eduardo Riedel (PP), com 67,07%. Foi mais que o dobro da votação do PT para governador em 2022, quando Giselle Marques recebeu 135.556 votos, o equivalente a 9,42% dos válidos.

Vander termina o mandato na Câmara após ficar em terceiro na disputa pelo Senado. As duas vagas foram para Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, ambos do PL.

Reeleita com 154.157 votos, a maior votação para deputado federal no estado, Camila Jara será a única petista da bancada de MS no Congresso. Na Assembleia Legislativa, o partido elegeu quatro deputados.

Advogado e ex-presidente da OAB em Mato Grosso do Sul, Trad presidiu na Câmara a comissão especial que analisou a reforma do Código de Processo Penal.

Em 2022, integrou o grupo de Justiça e Segurança Pública da transição de Lula. Na atual gestão, foi gerente de Controle e Integridade da Embratur, posto que deixou para concorrer ao governo estadual.

Na campanha, Trad propôs um centro de inteligência na fronteira para compartilhar dados entre as polícias estaduais e órgãos como a Polícia Federal e a Receita Federal.

A depender das atribuições de um eventual cargo, ele poderia levar propostas como essa à discussão entre as áreas técnicas e acompanhar a elaboração de medidas que exigem cooperação entre a União e o estado.

Trad já afirmou que pretende cobrar da bancada estadual do PT uma oposição “séria, republicana, construtiva” a Riedel. Se ficar fora da equipe de Lula, o ex-candidato poderá seguir na articulação local, enquanto as conversas do PT de MS com o Executivo federal tendem a se concentrar na direção estadual e no mandato de Camila Jara.