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quinta-feira, agosto 6, 2026
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Muito além do diagnóstico: como pessoas autistas constroem seus próprios caminhos

Cada vez mais pessoas autistas encontram, na literatura, nas artes e em diferentes áreas profissionais, formas de expressar sua criatividade e participar da vida social.

Segundo especialistas, essas trajetórias reforçam a importância de compreender que não existe um único modo de desenvolvimento.

De acordo com a psicóloga e psicanalista Regina Cheli Prati, cada pessoa autista possui uma forma singular de aprender, estabelecer vínculos e construir sua relação com o mundo. Para ela, compreender essa singularidade é um dos principais desafios para famílias, profissionais e sociedade.

Na mesma perspectiva, a psicóloga Luana Silva explica que, para a psicanálise, o foco não está em enquadrar a pessoa em protocolos ou classificações, mas em reconhecer a singularidade de cada sujeito. Segundo ela, aquilo que caracteriza uma pessoa não pode ser reduzido ao diagnóstico. A experiência clínica mostra que cada indivíduo inventa soluções próprias para construir sua relação com o outro e com o mundo.

Já a psicóloga Sheila Cordeiro destaca que o trabalho do psicanalista consiste em sustentar as condições para que essas invenções ganhem consistência, fortalecendo também os vínculos familiares e novas formas de convivência.

O papel da família

Para as famílias, compreender que não existe um único modo de desenvolvimento representa um passo importante. Conforme explica a psicóloga Sheila Cordeiro, cada pessoa constrói um percurso singular, que não pode ser medido por parâmetros universais nem comparado ao de outras pessoas. Muitas vezes, aquilo que inicialmente parece um interesse restrito, incomum ou excêntrico pode tornar-se um importante ponto de apoio para que o sujeito construa suas próprias formas de comunicação, de autonomia e de laço social.

A psicóloga Luana Silva ressalta, ainda, a importância de olhar o autismo para além de avaliações, classificações e protocolos, reconhecendo que cada sujeito desenvolve formas próprias de participar da vida social e construir seus vínculos. “O essencial não é corrigir aquilo que difere da norma, mas reconhecer e sustentar as invenções singulares que cada sujeito constrói para fazer laço com o mundo. É justamente nessas invenções que podem surgir novos modos de participação social, de aprendizagem e de construção da própria vida”, afirma.

Essas reflexões dialogam com o livro Escutem os autistas!, de Jean-Claude Maleval, com lançamento previsto para outubro pela COLEÇÃO PIPA TRADUZ. A obra propõe um olhar sobre o autismo que valoriza a palavra dos próprios autistas, reconhecendo a singularidade de cada sujeito e as soluções que cada um constrói para se relacionar com o mundo.

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