12.2 C
Campo Grande
domingo, junho 21, 2026
InícioJustiçaMPMS defende bloqueio de verbas para garantir serviços na Santa Casa de...

MPMS defende bloqueio de verbas para garantir serviços na Santa Casa de Campo Grande

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) tem atuado para assegurar a continuidade dos atendimentos na Santa Casa de Campo Grande, diante da grave crise financeira e estrutural enfrentada pelo hospital.

A 76ª Promotoria de Justiça ajuizou, em 2025, Ação Civil Pública (ACP) que resultou em decisão obrigando Estado e Município a apresentarem um plano de ação em 90 dias, com medidas para regularizar serviços médicos, recompor estoques de medicamentos e insumos, além de organizar o pronto-socorro para reduzir a superlotação.

A Justiça determinou, inicialmente, que, em caso de descumprimento, haveria sequestro mensal de R$ 12 milhões das contas do Estado e do Município. Posteriormente, o bloqueio foi substituído por multa diária de R$ 5 mil. O Estado recorreu, alegando ilegitimidade passiva, incompetência da Justiça Estadual e ingerência judicial em políticas públicas.

Nas contrarrazões, o MPMS sustentou que, se Estado e Município continuam regulando pacientes para a Santa Casa, é indispensável que garantam condições mínimas para que esses cidadãos sejam atendidos de forma digna. Não se pode admitir que pacientes sejam encaminhados a um hospital em situação precária, sem insumos básicos e com superlotação extrema. O Ministério Público de MS também destacou que o Estado não é mero financiador, mas cogestor do Sistema Único de Saúde (SUS), e que a exigência judicial de plano de ação não esgota o objeto da ação, funcionando apenas como medida organizatória para preservar o resultado útil do processo.

O parecer assinado pelo Procurador de Justiça Sérgio Luiz Morelli reforçou essa tese e afastou a alegação de violação à separação dos poderes. O documento esclareceu que não houve criação de nova política pública, mas apenas a exigência de planejamento mínimo diante da grave desassistência comprovada nos autos. Também destacou que o custo administrativo de elaborar um plano é incomparavelmente inferior ao custo humano e social da continuidade da desassistência.

Relatórios do Conselho Regional de Medicina (CRM) anexados ao processo evidenciam superlotação superior a 500% da capacidade instalada, falta de insumos básicos e paralisações de atendimento por ausência de pagamento a profissionais. Para o MPMS, o verdadeiro risco não está na exigência de planejamento, mas na perpetuação do colapso institucional, que compromete diretamente a vida e a dignidade dos pacientes.

O trabalho desenvolvido pelo MPMS evidencia a preocupação em proteger o direito fundamental à saúde e garantir que a população não fique desassistida diante da crise da Santa Casa.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Advertisment -

Most Popular