29 C
Campo Grande
domingo, agosto 2, 2026
InícioCâmara Municipal‘Gambiarra’, diz Landmark ao criticar proposta da Sesau para privatização da saúde...

‘Gambiarra’, diz Landmark ao criticar proposta da Sesau para privatização da saúde pública

O vereador Landmark Rios (PT) fez duras críticas à possível terceirização da gestão de unidades de saúde em Campo Grande durante a sessão desta quinta-feira (26), na Câmara Municipal. Em pronunciamento na tribuna, o parlamentar classificou a proposta como uma “gambiarra” para esconder falhas da administração pública na área da saúde.
“Isso que estão tentando fazer é uma gambiarra para maquiar a incompetência da gestão da saúde. Não resolve o problema, só empurra para frente e coloca a população em risco”, afirmou.

O posicionamento do vereador ocorreu após uma reunião realizada momentos antes da sessão, no gabinete da presidência da Casa, com a participação de vereadores, membros da Comissão de Saúde, representantes do Conselho Municipal de Saúde, do Fórum dos Usuários da Saúde e demais parlamentares. O encontro foi conduzido pelo presidente da Câmara, vereador Papy, e teve como pauta central a proposta de terceirização.

Durante a reunião, Papy destacou que o projeto ainda não foi formalmente encaminhado ao Legislativo e ressaltou a necessidade de um debate mais aprofundado sobre o tema, considerado sensível e de grande impacto para a população.

“O andamento desse assunto vai respeitar o método da Câmara para temas polêmicos. É um assunto sensível, que precisa ser melhor debatido, com dados, informações e responsabilidade”, afirmou o presidente, ao anunciar a realização de uma audiência pública no dia 9 de abril, às 14h, para discutir a proposta com a sociedade.

Representando o Conselho Municipal de Saúde, o presidente Jader Vasconcelos criticou a forma como a proposta foi apresentada pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), afirmando que o tema chegou como algo já definido, sem debate prévio com o controle social.

Segundo ele, o conselho possui uma posição histórica contrária à terceirização e avalia que a medida não resolve os problemas estruturais da saúde pública.

“Ele [Marcelo Vilela, secretário de Saúde] trouxe nas falas como algo que já está certo que acontecerá. Isso não é inovação nenhuma. A gente já conhece esse modelo e sabe que não resolve”, afirmou.

Jader também destacou que a principal dificuldade enfrentada hoje pela rede municipal está relacionada à gestão e não à falta de recursos, citando, como exemplo, valores disponíveis que demoraram a ser executados.

Para ele, a terceirização pode gerar um efeito contrário ao esperado, com aumento de custos ao longo do tempo, por meio de aditivos contratuais, além de tornar o município dependente de empresas privadas e enfraquecer o quadro de servidores públicos.

Para Landmark, a proposta de terceirização não enfrenta o problema central da saúde pública em Campo Grande. O vereador defende que o caminho passa por gestão eficiente, investimento em estrutura e valorização dos profissionais que já atuam na rede.

“Não adianta entregar para empresa privada. Se não consegue gerir, precisa melhorar a gestão, não terceirizar. Saúde pública não é mercadoria”, reforçou.

Além do posicionamento, o vereador convocou o presidente do Conselho Municipal de Saúde, Jader Vasconcelos, para participar da Palavra Livre na Câmara Municipal, na próxima terça-feira, 31 de março, para detalhar à população os riscos dessa privatização.

A PROPOSTA

A proposta apresentada pela Secretaria Municipal de Saúde na quarta-feira (25), prevê a implantação de um projeto piloto com Organizações Sociais (OS) em unidades como os Centros Regionais de Saúde do Tiradentes e Aero Rancho. Nesse modelo, a gestão deixa de ser direta do poder público e passa para entidades privadas contratadas, com metas de desempenho e repasse mensal de recursos.

Segundo o secretário, a justificativa é dar mais agilidade à gestão, reduzir custos e melhorar indicadores de atendimento. A proposta inclui contratação mais rápida de profissionais, menos burocracia na compra de insumos e metas vinculadas a resultados.

Mas, na prática, o modelo levanta preocupações importantes.
Entre os principais riscos apontados estão:

  • Perda de controle público sobre a gestão da saúde
  • Precarização do trabalho, com pressão por metas e redução de plantões
  • Possibilidade de aumento de custos no médio prazo, com reajustes contratuais
  • Dependência de empresas privadas, dificultando a retomada pelo município
  • Risco de queda na qualidade do atendimento, com foco em números e não nas pessoas
  • Indicações políticas e falta de transparência nas contratações

O presidente do Sindicato dos Odontólogos de Mato Grosso do Sul (SIOMS), Davi Chadid, também se posicionou contra a proposta e alertou para riscos relacionados à transparência e ao controle dos recursos públicos.

“A OS abre mais porta para corrupção, porque os mecanismos de controle são mais frouxos. Você paga por meta, e quando a demanda aumenta, vem o pedido de aditivo. Isso já aconteceu em vários lugares”, afirmou.

Segundo ele, experiências em outros estados mostram que o modelo pode resultar em desorganização do sistema, disputas políticas e prejuízos diretos à população. “Vira uma bagunça. Contrato vira disputa política, e quem sofre é a população”, disse.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Advertisment -
Publicidade

Most Popular