O que para muitos representa apenas descarte e problema ambiental tornou-se, para o Projeto EcoCiclo, uma oportunidade de inovação, sustentabilidade e transformação social. Desenvolvida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a iniciativa está entre as classificadas do Prêmio CNMP 2026 ao incentivar a destinação correta e o reaproveitamento dos resíduos da construção civil em Campo Grande.
A proposta surgiu a partir de um desafio crescente enfrentado pelos centros urbanos: o descarte inadequado de entulhos em áreas públicas, terrenos baldios e locais ambientalmente sensíveis. Além dos impactos sobre o meio ambiente, a prática gera custos para o poder público e compromete a qualidade de vida da população. Diante desse cenário, o MPMS passou a articular diferentes instituições em busca de soluções duradouras para o problema.
Coordenado pela 34ª Promotoria de Justiça de Campo Grande, o EcoCiclo reúne órgãos públicos, universidades, entidades de classe, representantes da construção civil e especialistas para fomentar a reciclagem de resíduos e ampliar o uso de materiais reciclados nas obras. A iniciativa busca transformar aquilo que seria descartado em matéria-prima apta a retornar ao ciclo produtivo, reduzindo a necessidade de extração de recursos naturais e contribuindo para uma gestão mais eficiente dos resíduos.
Da destinação correta à economia circular
Mais do que incentivar a reciclagem, o projeto promove uma mudança de cultura. A proposta está alinhada aos princípios da economia circular, modelo que prioriza o reaproveitamento de materiais e a redução do desperdício. Na prática, os resíduos da construção civil passam a ser vistos como recursos com potencial de reutilização, gerando benefícios ambientais, econômicos e sociais.
Entre os resultados alcançados estão o fortalecimento da cadeia de reciclagem de resíduos da construção civil, a ampliação do diálogo entre instituições e o incentivo à adoção de práticas sustentáveis pelo setor produtivo. O projeto também contribuiu para a elaboração de materiais orientativos e para a construção de soluções técnicas voltadas à correta gestão desses resíduos.
Para o Promotor de Justiça Luiz Antônio Freitas de Almeida, o reconhecimento nacional demonstra a importância da atuação colaborativa na busca por soluções ambientais.
“O EcoCiclo demonstra que é possível transformar um passivo ambiental em oportunidade. Estamos construindo uma nova cultura baseada na responsabilidade compartilhada, na inovação e no uso inteligente dos recursos naturais. Cada tonelada de material reciclado representa menos impacto ao meio ambiente e mais sustentabilidade para as futuras gerações”, destacou.
Com potencial de replicação em outros municípios e estados, o EcoCiclo consolida-se como uma experiência de referência na gestão sustentável de resíduos da construção civil, unindo conhecimento técnico, articulação institucional e compromisso ambiental em benefício da coletividade.
A classificação final dos vencedores será conhecida durante a cerimônia de premiação marcada para o dia 11 de novembro, na sede do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), em Brasília.





















