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terça-feira, junho 23, 2026
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COLUNA ENTRE LINHAS & SILÊNCIOS: SEJA PELO SOL, SEJA PELA LUA

Quando o primeiro homem olhou para o sol,
não compreendeu sua grandeza.

Viu apenas um círculo de fogo
atravessando o céu.

Não imaginou que ali estava a força
que despertava sementes,
a mão invisível que amadurecia frutos,
o calor silencioso
que impedia o mundo de adormecer para sempre.

Talvez as maiores grandezas
não tenham sido feitas para serem compreendidas.

Talvez tenham sido feitas apenas para iluminar.

Com a lua aconteceu o mesmo.

Quantos apaixonados ergueram os olhos
para sua claridade derramada sobre os telhados,
sobre os rios,
sobre as janelas entreabertas da saudade?

Nenhum deles conhecia a distância exata que os separava dela.

Nenhum era capaz de medir
o tamanho de sua solidão no universo.

Ainda assim,
bastava um único olhar
para que os corações acreditassem novamente
na beleza.

O amor possui algo do sol.

E algo da lua.

Do sol,
herdou a capacidade de aquecer.

Da lua,
aprendeu a permanecer
mesmo quando a escuridão parece vencer.

Mas existe uma diferença.

O sol não escolhe quem iluminar.

A lua não escolhe quem encantar.

O amor escolhe.

E é justamente essa escolha
que o transforma em milagre.

Há quem passe a vida inteira
procurando ser feliz.

Correm atrás da felicidade
como quem corre atrás do horizonte.

E morrem cansados.

Sem perceber
que a felicidade é uma ave arisca:
quanto mais perseguida,
mais distante voa.

Talvez o segredo seja outro.

Talvez a verdadeira felicidade
não pertença aos que desejam recebê-la.

Talvez pertença aos que decidem oferecê-la.

Porque existe uma alegria impossível de ser comprada,
explicada
ou ensinada.

É a alegria de perceber
que alguém sorriu
porque você existiu.

Que alguém suportou melhor a tempestade
porque você permaneceu.

Que alguém voltou a acreditar no amanhã
porque encontrou abrigo
na sombra da sua presença.

Seja pelo sol.

Seja pela lua.

Que o coração nunca se esqueça:

o amor não nasceu para ser servido.

Nasceu para servir.

E quando um ser humano descobre
a extraordinária beleza
de fazer outro ser humano feliz,

uma luz antiga acende-se dentro dele.

Uma luz que não pertence ao céu.

Uma luz que não depende das estações.

Uma luz que nem o tempo,
nem a distância,
nem a morte conseguem apagar.

Porque algumas almas,
quando aprendem a amar,

transformam-se elas próprias
em sol.

E outras,

na mais bela lua
que alguém já contemplou.

Autor: João Roberto Giacomini, advogado e escritor

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