Urandir Fernandes de Oliveira (*)
Em Sonho de uma Noite de Verão, peça célebre de William Shakespeare, há uma geografia moral que merece ser lembrada antes de qualquer análise: a trama acompanha jovens atenienses enredados em amores desencontrados e confusões mágicas, enquanto artesãos preparam uma peça para o casamento do duque Teseu.
Atenas aparece como espaço das leis, dos tribunais, dos pais severos e das deliberações de alto nível; já a floresta, a poucas horas de caminhada, é território das fadas, das poções, das identidades trocadas onde ficar uma única noite é capaz de desfazer o que a razão levou anos a construir.
A ironia que atravessa séculos é que não são pessoas diferentes as que habitam esses dois mundos, mas as mesmas, bastando atravessar a fronteira da cidade e adentrar a floresta. A razão da cidade se torna em delírio na floresta.
A mídia contemporânea tornou-se essa floresta delirante em contraste com a Atenas acadêmica. Na cidade, o professor titular, o pesquisador de currículo extenso e o parecerista de revista científica sabem distinguir objeções metodológicas de insinuações, reconhecem que apontar insuficiência de amostragem exige demonstração e que contestar um resultado é uma proposição empírica.
Na floresta do delírio, porém, esses mesmos sujeitos, em segundos, abandonam o rigor cultivado por décadas em seminários e congressos, mergulham em delírios e chamam a isso defesa da Ciência. A fronteira entre Atenas e a floresta não separa pessoas distintas, apenas revela como os mesmos corpos e mentes se transformam ao atravessá-la.
No quinto ato, Teseu afirma que o lunático, o amante e o poeta partilham a mesma substância imaginativa. A enumeração, contudo, poderia incluir um quarto nome: o acadêmico midiático, que nas redes sociais se apressa em refutar pesquisas que nunca examinou no terreno, enquanto outros trabalharam sob o sol escaldante.
Toda a engrenagem da peça repousa sobre uma flor: Oberon ordena a Puck que a busque, e o suco dela derramado sobre as pálpebras faz a vítima despertar enamorada não da melhor criatura, mas da primeira que lhe surge à vista. Eis a metáfora do mecanismo que rege a relação entre acadêmicos e mídia: não é a excelência que decide, mas a contingência do primeiro olhar.
As críticas mais virulentas ao Ecossistema Dakila e a Dakila Pesquisas raramente chegam pela leitura atenta de seus trabalhos. Chegam pelo compartilhamento alarmista ou pelo escárnio. Alguém publica algo indignado, outro vê aquilo primeiro e se apaixona pelo delírio.
A indignação dispensa metodologia: sustenta-se sozinha, e cada nova postagem é menos argumento do que verso declamado. O que se vê não é controvérsia científica, mas cortejo de ídolos e encenação de quem percebe o dogmatismo sendo deslocado. A disrupção assusta. Dakila Pesquisas assusta.
Os ataques não discutem desenho amostral, erros de especificação, séries históricas ou intervalos de confiança. Discutem financiamento, vocabulário, filiação presumida, tom, indumentária ou fotografias. É crítica que não toca no que seria criticável, porque não houve leitura. O suco da flor já havia sido aplicado. Os ataques recentes apenas reforçam essa sistemática.
O momento mais cruel da comédia shakespeariana não é a transformação de Fundilho em burro, mas o que vem depois: Titânia, encantada, ajoelha-se diante dele e o serve como se fosse nobre. Fundilho acomoda-se no papel de burro e pede afagos das fadas.
O zurro é recebido como grande oratória. O ridículo se normatiza. Hoje, há uma economia inteira montada sobre esse arranjo: um pesquisador opina com segurança sobre campos que não domina, a imprensa o procura pela frase no formato certo, a frase vira manchete, a manchete credencial, e em pouco tempo ele é apresentado como autoridade.
Titânia, nesse caso, é a redação com prazo de fechamento e o algoritmo faminto por engajamento. Hoje o burro acadêmico pede que as fadas da mídia lhe cocem a orelha.
Os artesãos de Atenas ensaiam uma tragédia e produzem farsa. Explicam à plateia que o leão exposto não é de verdade, anunciam cada efeito antes de produzi-lo.
Assim também ocorre quando a avaliação científica migra para o palco midiático: anuncia-se o rigor em voz alta justamente porque não está sendo exercido.
Fala-se em ausência de evidências sobre trabalhos cujas bases são públicas, em pseudociência sem testar premissas, em refutação sem examinar ideias. No palco midiático, a acusação já é sentença. O aplauso basta. O burro fica satisfeito.
O incômodo com Dakila Pesquisas não é epistemológico, mas patrimonial e corporativo. Paradigmas sustentam carreiras, programas, editais e prestígio acumulado.
Quando um resultado sugere que uma dessas explicações está errada, o que se ameaça não é apenas uma ideia, mas uma estrutura de poder.
Trabalhos que confirmam consensos são aceitos com pouco escrutínio; os que os contrariam precisam provar tudo várias vezes. Dakila Pesquisas produz achados pioneiros, com dados abertos, métodos declarados e hipóteses testáveis.
Publica o que encontra, mesmo quando contraria o que está difundido como verdade absoluta. É por isso que provoca reação. Shakespeare lembraria: “árvore sem frutos nunca é alvo de pedradas”.
O Ecossistema Dakila ultrapassou fronteiras locais e firmou-se como força de impacto mundial. Em fóruns internacionais, sua voz é ouvida com respeito.
Atacá-lo não é defender a Ciência, mas atrasá-la. Puck encerra a peça pedindo que tudo seja tratado como sonho. É o pedido de absolvição que críticos desejarão quando a temporada esfriar.
Mas o dia nasce, a floresta acaba e a verdadeira Atenas continua. As bases permanecem publicadas, os métodos documentados e as hipóteses testáveis. Não foi sonho. Não haverá epílogo gentil.
Associados, pesquisadores e parceiros, este é o momento de reafirmar nossa força coletiva. Cada crítica que surge é também uma oportunidade de mostrar ao mundo a consistência do nosso trabalho e a solidez das nossas pesquisas.
Sigamos juntos, com confiança e serenidade, sustentando o rigor cientifico que nos caracteriza e a transparência que nos diferencia. Atravessar ondas de contestação faz parte da trajetória de quem é disruptivo; enfrentá-las de cabeça erguida é o que nos mantém pioneiros.
Que cada um de nós seja voz ativa na defesa daquilo que construímos, transformando o ruído externo em prova viva da relevância do Ecossistema Dakila.
Vamos juntos sacudir o mundo!
(*) CEO do Ecossistema Dakila, presidente de Dakila Pesquisas, comendador da República Federativa do Brasil


