A China ocupa a liderança das exportações industriais de Mato Grosso do Sul, enquanto a Coreia do Sul figura entre os principais centros mundiais de inovação. Os dois países fazem parte do roteiro da missão empresarial que a Fiems irá realizar entre os dias 14 e 24 de outubro.
A missão reunirá cerca de 50 empresários sul-mato-grossenses na província chinesa de Guangdong e na capital sul-coreana, Seul. A programação conta com visitas técnicas e encontros diplomáticos, com foco na prospecção de tecnologias, geração de negócios e fortalecimento das relações comerciais com os mercados asiáticos.
Na China, a comitiva participará da primeira fase da 140ª edição da Canton Fair, realizada de 15 a 19 de outubro, em Guangzhou. A etapa é dedicada à manufatura avançada e reúne fornecedores, compradores e empresas de diferentes países em torno de soluções para automação industrial, máquinas, equipamentos, eletrônicos, mobilidade, energia e novas tecnologias.
A programação também prevê, no dia 18 de outubro, um encontro empresarial com o cônsul-geral do Brasil em Guangzhou, Alan Coelho de Séllos, e a assinatura de um protocolo de intenções entre a Fiems, a Federação das Indústrias do Estado da Paraíba, a FIEPB, e a Federação de Comércio e Indústria de Hainan. O acordo busca estabelecer bases para o desenvolvimento de futuras ações de cooperação, aproximação institucional e intercâmbio comercial.
Principal mercado da indústria sul-mato-grossense
A escolha da China reflete o peso que o país já exerce sobre a economia de Mato Grosso do Sul. Somente entre janeiro e agosto de 2026, as exportações de produtos industriais do Estado para o mercado chinês alcançaram US$ 1,83 bilhão, conforme dados do Observatório da Indústria da Fiems.
Com esse resultado, a China ocupa a posição de maior compradora dos produtos industriais sul-mato-grossenses. No período, foram embarcadas aproximadamente 2,5 milhões de toneladas para o mercado chinês.
A pauta exportadora é marcada principalmente pela celulose e pela carne bovina. Juntos, os dois produtos responderam por 93,2% da receita obtida por Mato Grosso do Sul nas exportações industriais para a China, o equivalente a aproximadamente US$ 1,7 bilhão nos primeiros oito meses do ano.
Os números demonstram que a China não representa apenas um destino relevante para a produção estadual. O país exerce influência direta sobre cadeias produtivas estratégicas de Mato Grosso do Sul, especialmente os setores de base florestal e frigorífico, que concentram investimentos, geração de empregos e participação expressiva na atividade industrial.
Ao mesmo tempo, a concentração da pauta em poucos produtos reforça o potencial para diversificar as relações comerciais. A missão permitirá que empresários conheçam fornecedores, tendências e modelos de operação, além de identificar soluções que possam ser incorporadas aos negócios e novas possibilidades de inserção no mercado asiático.
No cenário nacional, a China também ocupa uma posição central. No último ano, as exportações brasileiras para o mercado chinês somaram US$ 99,9 bilhões, correspondentes a 29% de tudo o que o Brasil exportou. As importações provenientes da China chegaram a US$ 70,9 bilhões, ou 25% do total importado pelo país.
Canton Fair aproxima empresários de tendências globais
Realizada em Guangzhou desde 1957, a Canton Fair, oficialmente denominada China Import and Export Fair, consolidou-se como uma das maiores e mais tradicionais plataformas internacionais de comércio. O evento conecta empresas, compradores, fornecedores e instituições de diferentes países.
A primeira fase da edição de outubro de 2026 será realizada de 15 a 19 de outubro, com foco em manufatura avançada. A programação inclui áreas relacionadas a automação, máquinas industriais, eletrônicos, equipamentos elétricos, novas fontes de energia, veículos, mobilidade inteligente, ferramentas e componentes produtivos.
Além da prospecção de fornecedores, a visita permitirá aos empresários analisar tendências, comparar tecnologias e avaliar soluções voltadas à modernização dos processos industriais. O propósito é transformar o contato com o ambiente industrial chinês em conhecimentos que contribuam para reduzir custos, aumentar a eficiência e elevar a competitividade das empresas de Mato Grosso do Sul.
A feira também cria condições para reuniões comerciais e aproximação direta com potenciais parceiros. Dessa forma, a missão combina a busca por tecnologia com oportunidades concretas de negócios e construção de relacionamentos internacionais.
Coreia do Sul: inovação transformada em competitividade
Após a agenda na China, a missão seguirá para Seul, capital da Coreia do Sul. A programação prevê visitas técnicas a empresas, atividades no ecossistema educacional sul-coreano e um encontro empresarial com o embaixador do Brasil na República da Coreia, Fernando Meirelles de Azevedo Pimentel.
Reconhecida por transformar pesquisa, tecnologia, design e gestão em produtos e empresas de alcance mundial, a Coreia do Sul tornou-se referência em áreas como eletrônicos, mobilidade, games, beleza, educação e economia criativa.
A agenda permitirá compreender como o país articula formação profissional, pesquisa aplicada, desenvolvimento tecnológico e estratégias empresariais. A expectativa é que as experiências conhecidas possam inspirar iniciativas voltadas à inovação, à qualificação de trabalhadores e à melhoria dos modelos de gestão das empresas participantes.
Embora a relação comercial entre Mato Grosso do Sul e Coreia do Sul tenha dimensão menor que o intercâmbio com a China, os indicadores mostram um mercado com espaço para expansão. Entre janeiro e agosto de 2026, as exportações industriais sul-mato-grossenses para o país asiático somaram US$ 37 milhões, com um volume aproximado de 70 mil toneladas.
A Coreia do Sul aparece como o 29º maior destino dos produtos industriais do Estado. A celulose respondeu por 65,8% da receita exportada, cerca de US$ 24,3 milhões. Coxas e sobrecoxas de frango representaram 23,8%, aproximadamente US$ 8,8 milhões, enquanto o farelo de soja respondeu por 7,57%, perto de US$ 2,8 milhões.
Somados, os três grupos representaram mais de 97% das exportações industriais de Mato Grosso do Sul para o mercado sul-coreano no período. O resultado evidencia tanto a importância dos produtos atualmente comercializados quanto o desafio de ampliar e diversificar a presença estadual naquele mercado.
Em escala nacional, a Coreia do Sul ocupa a 13ª posição entre os destinos das exportações brasileiras. No último ano, as vendas brasileiras ao país chegaram a US$ 5,47 bilhões.
Nas importações, o país ocupa a 11ª posição entre os fornecedores do mercado brasileiro. As compras de produtos sul-coreanos alcançaram US$ 5,3 bilhões.
Conhecimento, relacionamento e oportunidades
A missão foi estruturada para proporcionar uma visão integrada sobre dois ambientes que exercem influência crescente sobre a indústria mundial. Enquanto a China se destaca pela escala produtiva, amplitude de fornecedores e capacidade de comercialização, a Coreia do Sul oferece referências em inovação, tecnologia, educação, design e gestão.
A combinação das duas agendas permitirá aos empresários conhecer soluções avançadas, acompanhar tendências e avaliar tecnologias com potencial de aplicação nas empresas. Também abrirá espaço para reuniões de negócios, prospecção de fornecedores e aproximação com instituições e parceiros internacionais.
A coordenação executiva da missão está sob responsabilidade de Aurélio Rolim Rocha, diretor de Relações Internacionais do Sistema Fiems.
Serviço
Missão Internacional Canton Fair + Coreia do Sul
Período: 14 a 24 de outubro de 2026
Destinos: Guangzhou, na China, e Seul, na Coreia do Sul
Participantes previstos: cerca de 50 empresários e lideranças
Coordenação executiva: Diretoria de Relações Internacionais do Sistema Fiems






