O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, morreu na madrugada desta segunda-feira (13), aos 60 anos. A informação foi confirmada pelo advogado e amigo Wilton Acosta. Bernal estava preso preventivamente desde março deste ano e havia retornado ao Presídio Militar após receber alta da Santa Casa e ter negado pela Justiça o pedido de prisão domiciliar por motivos de saúde.
Segundo a defesa, o ex-prefeito passou mal na unidade prisional e foi novamente levado à Santa Casa, onde morreu.
Bernal respondia pelo assassinato do ex-servidor municipal Roberto Mazzini. No início deste mês, ele sofreu um infarto após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitar um pedido de liberdade. Durante a internação, foi submetido a um procedimento cardíaco para a implantação de seis stents e permaneceu hospitalizado por vários dias.
A defesa sustentava que o estado de saúde exigia acompanhamento especializado e que o sistema prisional não oferecia estrutura adequada para o tratamento. No entanto, na última sexta-feira (10), a Justiça negou a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar. Na decisão, o magistrado entendeu que a ausência de UTI ou de médicos especialistas na unidade prisional, por si só, não justificava o benefício, observando ainda que a residência do ex-prefeito também não dispunha dessa estrutura.
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul também havia se manifestado contra a concessão da prisão domiciliar, argumentando que o processo trata de um crime de elevada gravidade e repercussão social. Antes disso, Bernal já havia tido pedidos de liberdade negados pela Justiça estadual, pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul e pelo Superior Tribunal de Justiça.
Trajetória política
Natural de Campo Grande, Alcides Bernal construiu sua carreira na comunicação antes de ingressar na política. Atuou como radialista e apresentador de televisão, tornando-se conhecido pelo trabalho em programas voltados à prestação de serviços e defesa do consumidor.
Foi eleito vereador da Capital e, em 2012, venceu a eleição para prefeito de Campo Grande. Sua gestão ficou marcada por uma intensa crise política que culminou na cassação de seu mandato pela Câmara Municipal em março de 2014, sob acusações de irregularidades administrativas.
Meses depois, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul anulou a cassação e determinou seu retorno ao cargo. Bernal reassumiu a Prefeitura em agosto de 2015 e permaneceu no comando do Executivo até o fim do mandato, em dezembro de 2016.
Após deixar a Prefeitura, disputou novas eleições para cargos públicos, mas não voltou a exercer mandato eletivo. Em março deste ano, foi preso preventivamente durante as investigações sobre a morte do ex-servidor Roberto Mazzini, caso que ainda tramitava na Justiça.
A morte do ex-prefeito encerra uma trajetória marcada por forte projeção política em Mato Grosso do Sul, disputas judiciais e uma administração que dividiu opiniões na Capital.


