A pré-candidata a deputada estadual pelo PT, Sandra Maria, defendeu a ampliação das políticas públicas para a reforma agrária em Mato Grosso do Sul, afirmando que a distribuição de terras precisa ser acompanhada de investimentos que garantam produção, geração de renda e permanência das famílias no campo.
A declaração foi feita após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Estado, na última semana, quando foram anunciados R$ 313 milhões em investimentos destinados à agricultura familiar e à reforma agrária. Durante agenda em Ponta Porã, o governo federal também entregou 1.390 títulos de regularização fundiária, como parte das ações voltadas ao fortalecimento da produção rural.
Embora reconheça os avanços, Sandra Maria avalia que a demanda por novos assentamentos ainda está longe de ser atendida em Mato Grosso do Sul, estado que apresenta uma das maiores concentrações fundiárias do país. Segundo ela, mais de cinco mil famílias aguardam atualmente por uma oportunidade de acesso à terra.
A pré-candidata destaca que o Estado possui cerca de 36 mil famílias assentadas, distribuídas em mais de 200 assentamentos. Ela explica que o processo de seleção exige comprovação de experiência no trabalho rural, medida que considera importante para fortalecer os resultados da política de reforma agrária.
Na avaliação de Sandra Maria, o desafio não termina com a entrega dos lotes. Para ela, é indispensável que o poder público ofereça condições para que os assentamentos se tornem economicamente viáveis.
“Para que essa pessoa seja selecionada, ela vai ter que ter comprovação do trabalho rural e acredito que isso vai melhorar o processo de assentamento. O governo precisa apoiar e ter políticas públicas que fortaleçam o desenvolvimento dos assentamentos na produção e na comercialização. Não adianta fazer assentamento para não dar certo. É preciso gerar produção, renda e melhorar a vida das pessoas”, afirmou.
Produção rural e infraestrutura
Sandra Maria também defende que a reforma agrária seja acompanhada por investimentos em infraestrutura, assistência técnica, crédito rural e acesso aos mercados consumidores. Segundo ela, esses fatores são fundamentais para garantir que as famílias permaneçam no campo com qualidade de vida e condições de produzir.
A pré-candidata atribui a lentidão na criação de novos assentamentos ao elevado valor das terras em Mato Grosso do Sul, o que, segundo ela, dificulta a expansão da política fundiária no Estado.
“A reforma agrária aqui no Estado tem avançado a passos lentos, porque Mato Grosso do Sul é um estado concentrador e a terra é muito cara. Isso torna a implementação de novos assentamentos um processo mais difícil. As famílias continuam aguardando e esperamos que o governo federal consiga avançar ainda este ano, assentando pelo menos quatro ou cinco mil famílias”, declarou.
Durante a agenda presidencial, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar informou que pretende ampliar a regularização fundiária em todo o país, com a meta de beneficiar cerca de 300 mil famílias até o fim do ano. Para representantes da agricultura familiar, além da entrega de títulos e da criação de novos assentamentos, a ampliação do crédito, da assistência técnica e das políticas de comercialização é considerada essencial para fortalecer o setor e garantir renda às famílias do campo.


