Quando o primeiro homem olhou para o sol,
não compreendeu sua grandeza.
Viu apenas um círculo de fogo
atravessando o céu.
Não imaginou que ali estava a força
que despertava sementes,
a mão invisível que amadurecia frutos,
o calor silencioso
que impedia o mundo de adormecer para sempre.
Talvez as maiores grandezas
não tenham sido feitas para serem compreendidas.
Talvez tenham sido feitas apenas para iluminar.
Com a lua aconteceu o mesmo.
Quantos apaixonados ergueram os olhos
para sua claridade derramada sobre os telhados,
sobre os rios,
sobre as janelas entreabertas da saudade?
Nenhum deles conhecia a distância exata que os separava dela.
Nenhum era capaz de medir
o tamanho de sua solidão no universo.
Ainda assim,
bastava um único olhar
para que os corações acreditassem novamente
na beleza.
O amor possui algo do sol.
E algo da lua.
Do sol,
herdou a capacidade de aquecer.
Da lua,
aprendeu a permanecer
mesmo quando a escuridão parece vencer.
Mas existe uma diferença.
O sol não escolhe quem iluminar.
A lua não escolhe quem encantar.
O amor escolhe.
E é justamente essa escolha
que o transforma em milagre.
Há quem passe a vida inteira
procurando ser feliz.
Correm atrás da felicidade
como quem corre atrás do horizonte.
E morrem cansados.
Sem perceber
que a felicidade é uma ave arisca:
quanto mais perseguida,
mais distante voa.
Talvez o segredo seja outro.
Talvez a verdadeira felicidade
não pertença aos que desejam recebê-la.
Talvez pertença aos que decidem oferecê-la.
Porque existe uma alegria impossível de ser comprada,
explicada
ou ensinada.
É a alegria de perceber
que alguém sorriu
porque você existiu.
Que alguém suportou melhor a tempestade
porque você permaneceu.
Que alguém voltou a acreditar no amanhã
porque encontrou abrigo
na sombra da sua presença.
Seja pelo sol.
Seja pela lua.
Que o coração nunca se esqueça:
o amor não nasceu para ser servido.
Nasceu para servir.
E quando um ser humano descobre
a extraordinária beleza
de fazer outro ser humano feliz,
uma luz antiga acende-se dentro dele.
Uma luz que não pertence ao céu.
Uma luz que não depende das estações.
Uma luz que nem o tempo,
nem a distância,
nem a morte conseguem apagar.
Porque algumas almas,
quando aprendem a amar,
transformam-se elas próprias
em sol.
E outras,
na mais bela lua
que alguém já contemplou.
Autor: João Roberto Giacomini, advogado e escritor


