O deputado federal Dr. Luiz Ovando (PP/MS) acusou o Supremo Tribunal Federal (STF) de ultrapassar seus limites e de intervir em esfera que, segundo ele, deveria ser de competência política e parlamentar. Em publicação dirigida à imprensa, o parlamentar classificou como “ato político travestido de legalidade” a decisão que encerrou a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o INSS.
“O Supremo Tribunal Federal mais uma vez ultrapassa sua função e intervém onde não deveria”, afirmou Ovando, acrescentando que “o ‘partido da toga’ agora define até onde a verdade pode chegar”. Para o deputado, encerrar a investigação representa não apenas a interrupção de um procedimento, mas também uma quebra na transparência: “Não se interrompe apenas uma investigação. Interrompe-se a transparência”.
Ovando ainda advertiu para as possíveis consequências institucionais de tal movimento: “Hoje é a CPMI. Amanhã, o próprio Parlamento.” As declarações refletem uma crítica ampla ao papel do Judiciário em decisões que, na visão do parlamentar, têm forte componente político.
A fala do deputado insere-se no debate sobre o equilíbrio entre os poderes e sobre os limites da atuação judicial em questões que mobilizam o Legislativo. Para seus apoiadores, a intervenção do STF seria um mecanismo de controle institucional; para críticos, como Ovando, ela representa um risco à autonomia do Parlamento e à investigação de fatos de interesse público.
Procurado, o STF ainda não se manifestou sobre as críticas. Já o gabinete do deputado Ovando reafirmou a posição do parlamentar em nota, defendendo maior respeito às prerrogativas legislativas e pedindo que questões correlatas sejam resolvidas dentro dos canais parlamentares.
A polêmica tende a reacender o debate sobre a atuação da Corte em temas sensíveis e sobre a necessidade de conciliar decisões jurídicas com a preservação da transparência e do funcionamento democrático das comissões parlamentares.


