Nesta quinta-feira (27), aconteceu o 3º Seminário de Saúde Mental com objetivo de integrar e promover a troca de experiências entre os profissionais da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) de Campo Grande, a partir da apresentação e discussão das práticas exitosas implementadas nas unidades. Os inúmeros avanços conquistados nos últimos que colocam Campo Grande como referência foram destacados durante a abertura do evento realizada pela manhã no auditório da Secretaria Municipal de Educação (SEMED). A cerimônia foi abrilhantada pela apresentação do Coral do Caps Vila Almeida formado por pacientes da unidade.

Para a defensora-pública Eni Maria Sezerino Diniz, coordenadora do Núcleo de Saúde da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul, a Rede de Atenção Psicossocial é considerada referência em todo o Estado por ser extremamente bem estruturada e contar com profissionais que se dedicam em proporcionar um serviço de qualidade.
“Campo Grande está de parabéns pela forma como tem estruturado a Rede de Saúde Mental e proporcionado um atendimento mais humanizado aos seus pacientes. Acompanhamos a implementação e desenvolvimento de inúmeras práticas exitosas que devem ser seguidas como exemplo. Há ainda muita para ser feita, mas não podemos deixar de evidenciar o quanto o Município avançou”, destaca.
O coordenador da Rede de Atenção Psicossocial da Sesau, médico psiquiatra Eduardo Araújo, destacou a importância da difusão de conhecimentos e de fortalecer entre os profissionais a necessidade de buscar meios de proporcionar melhor acolher e humanizar o atendimento ao paciente. “O propósito do nosso trabalho é resgatar a dignidade destas pessoas e possibilitar a sua ressocialização. E trazer essa discussão é fundamental”, comenta.
A superintendente da Rede de Atenção à Saúde, Ana Paula Resende de Lima, lembrou que nos últimos cinco anos a assistência psicossocial avançou significativamente com abertura de novos CAPS, residências terapêuticas, além da implantação da Residência Médica em Psiquiatria e habilitação de equipes.
“Campo Grande saiu de 28 para 68 leitos das unidades de Atendimento Psicossocial, os CAPS. Isso é um demonstrativo claro da consolidação e expansão da nossa rede de cuidado. E também demonstra o quanto a gestão tem se mostrado sensível com a saúde mental. Nós estamos chegando hoje a 40 leitos de Residência Terapêutica e tínhamos apenas 10. E certamente vamos avançar ainda mais”, complementa.

Coral formado por pacientes do CAPS Vila Almeida.
A Rede de Saúde Mental do Município é composta por seis Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), sendo quatro CAPS III, 1 CAPS A.D IV, 1 CAPS Infanto Juvenil; 1 Ambulatório de Saúde Mental, 1 Unidade de Acolhimento Adulto, 1 Unidade de Acolhimento Infantil e 4 Residências Terapêuticas. Com média de 1,3 mil consultas ambulatoriais de saúde mental e 2 mil atendimentos nos CAPS por mês, a Rede Municipal possui 101 leitos para atendimentos de pacientes com problemas psiquiátricos e/ou usuários de álcool e drogas.
As equipes são compostas por profissionais de diversas áreas, como: Enfermeiro, Médico, Assistente Social, Psicólogo, Farmacêutico, Profissional de Educação Física, Terapeuta Ocupacional, Técnico de Enfermagem, Administrativo, entre outros.
Além da estrutura própria, o município conta com 12 leitos contratualizados no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, para atendimento de pacientes álcool e droga, 27 leitos no Hospital Nosso Lar, para atendimento de pacientes com transtornos psiquiátricos e 20 leitos de Hospital Geral, na Santa Casa de Campo Grande. Os atendimentos de pacientes com transtornos leves e moderados também são realizados nas 72 unidades básicas de saúde do Município (UBS/USF).
Somente no ano de 2020, mesmo realizando apenas 60% da capacidade dos atendimentos nas unidades, devido à pandemia da Covid-19, a Capital estava entre as três do país que tinham o maior número de atendimentos psicossociais em relação ao tamanho da população. A cidade ficava atrás apenas de Porto Alegre e Curitiba, e realizou mais de 310 mil atendimentos no ano.
O levantamento foi feito consultando a base de dados do Ministério da Saúde, que leva em consideração o número estimado de moradores nas cidades no ano e o total de atendimentos registrados. Nos seis primeiros meses, Campo Grande esteve na frente de cidades com uma população muito maior, como é o caso de Recife, a quarta colocada no ranking.
A Rede de Atenção Psicossocial, através da Coordenadoria da Rede de Atenção Psicossocial, tem buscado a cada dia fazer o levantamento das demandas da população Campo-grandense, para assim, promover a implantação e implementação dos equipamentos de Saúde Mental do Município. Segundo o último levantamento realizado, em que são contabilizados os atendimentos feitos no ano anterior, a Capital teve quase 300 mil atendimentos no ano de 2021, mesmo com uma redução de 40% nas agendas durante o ano inteiro.


