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“Quem faz o Estado funcionar são os servidores”, diz Kemp em protesto contra 3,81% de reajuste

_“Ninguém foi ouvido. O governo simplesmente enviou a revisão geral.”_ — Ricardo Bueno
_“Temos esperança de mudar esse quadro com diálogo e respeito aos servidores.”_ — Deumeires Morais
_“O reajuste não supera as perdas salariais. Precisamos de negociação de verdade.”_ — Mário Jurado
_“Expressamos o descontentamento e a indignação dos servidores diante da falta de diálogo e da desvalorização.”_ — Erika Porcelli Alaniz

O deputado estadual Pedro Kemp (PT) foi à tribuna nesta terça-feira (31) e, mais uma vez, manifestou apoio aos servidores públicos estaduais. Durante sessão com a Casa de Leis lotada, reforçou: “Quem faz o Estado funcionar são os servidores”.

O protesto reuniu trabalhadores e trabalhadoras de diversas áreas contra o reajuste de 3,81%, considerado insuficiente por não recompor a inflação do período, estimada em 4,17%. Também esteve entre as principais reivindicações o fim do desconto de 14% aplicado aos aposentados.

Os servidores administrativos de todas as áreas do serviço público estadual — da educação à saúde, da segurança à gestão — estão entre os mais prejudicados em Mato Grosso do Sul. Mesmo desempenhando funções essenciais para o funcionamento do Estado, recebem os menores salários, o que aprofunda a sensação de injustiça e desvalorização.

Sem revisão salarial desde o governo de Reinaldo Azambuja, esses trabalhadores acumulam perdas ao longo dos anos, com impacto direto em sua qualidade de vida. Diante desse cenário, servidores e servidoras de diferentes setores se uniram em protesto na Assembleia Legislativa, reforçando a luta por reconhecimento e melhores condições.

A mobilização foi um recado direto ao Governo do Estado. Os manifestantes cobram o cumprimento de acordos e cartas-compromisso que, segundo relatam, seguem sem resposta efetiva.

O ato reuniu diversas categorias e contou com apoio popular, evidenciando que a valorização dos servidores administrativos é uma pauta que atravessa todas as áreas e diz respeito a toda a sociedade sul-mato-grossense.

Entre as reivindicações expostas em cartazes no plenário estavam frases como: “RGA com ganho real”, “reposição acima da inflação”, “concurso público já” e críticas à terceirização. As lideranças sindicais também cobram a abertura de diálogo com o Governo do Estado.

O reajuste foi aprovado pela Assembleia na última semana e sancionado na segunda-feira (30), atingindo cerca de 86 mil servidores ativos e inativos, entre aposentados, pensionistas, militares estaduais inativos e instituições com autonomia financeira, como o MPMS e a Defensoria Pública.

Para a presidente da FETEMS, Deumeires Morais, embora o ato tenha ocorrido após a sanção do reajuste, a mobilização segue sendo fundamental. “Que os deputados possam ajudar a abrir canal de diálogo com o governador. Temos esperança de mudar esse quadro”, afirmou.

Kemp também criticou a postura do Governo. “Não podemos aceitar que o Governo trate assim os servidores públicos. É preciso retomar os planos de carreira e abrir concurso público já”, defendeu.

Durante sua fala, o deputado citou a realidade de diversas áreas, especialmente da Educação, e destacou a situação dos servidores administrativos de todos os poderes. Após ouvir uma servidora da Saúde, cobrou: “Não pagar as horas extras de quem trabalha em feriados e datas como o Natal é uma injustiça com os profissionais do Hospital Regional”.

Já o presidente do Sinpol-MS, Mário Jurado, reforçou a necessidade de negociação. “Convocamos essa mobilização para mostrar que o reajuste de 3,81% não supera as perdas salariais nesse período”, pontuou.

O coordenador do Fórum Estadual dos Servidores, Ricardo Bueno, afirmou que o reajuste ocorreu sem diálogo. “Ninguém foi ouvido. O governo simplesmente enviou a revisão geral”, declarou. Ele também questionou a política fiscal do Estado: “Como o governo alega dificuldade financeira e, ao mesmo tempo, concede isenções fiscais que passam de R$ 11 bilhões, podendo chegar a R$ 13 bilhões? Esse valor é maior do que o investimento em áreas como saúde, educação e segurança”.

Bueno destacou ainda que diversas categorias estão mobilizadas, como servidores do Detran e da UEMS, alguns já em estado de greve. “Estamos com muitos problemas, principalmente na saúde. O que queremos é abrir um canal de diálogo para discutir um reajuste que realmente recomponha as perdas”, concluiu.

A professora doutora Erika Porcelli Alaniz, representante da Aduems, também utilizou a tribuna para expressar o descontentamento da categoria. Segundo ela, a principal dificuldade é a ausência de diálogo com os servidores. No caso da universidade, a associação aponta uma defasagem salarial de cerca de 44%.

“Perdemos nossa autonomia financeira, pois não se faz ciência com pesquisadores desvalorizados. Assim como não se formam profissionais e professores de excelência sem condições materiais dignas. Mesmo com recordes de superávit econômico, os servidores seguem sendo desprezados, sem qualquer política séria de reparação salarial”, afirmou.

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