Rogério Alexandre Zanetti
Em resposta às críticas recentes dirigidas à criação da pós-graduação em Ufologia oferecida pela Universidade Dakila, um grupo de professores, pesquisadores e coordenadores do curso participou de uma transmissão ao vivo para esclarecer dúvidas, rebater informações consideradas equivocadas e apresentar os fundamentos acadêmicos da proposta pedagógica.
Durante o encontro, os participantes defenderam que o curso está plenamente amparado pela legislação educacional brasileira e que seu objetivo é promover o estudo científico e multidisciplinar dos fenômenos relacionados à Ufologia, sem qualquer vínculo com crenças ou posicionamentos ideológicos.
Logo no início da transmissão, o jornalista responsável pela mediação destacou que o debate surgiu após a publicação de uma reportagem crítica ao curso. Segundo ele, boa parte das manifestações concentrou-se em caricaturas e preconceitos sobre o tema, deixando de discutir o conteúdo programático da especialização.
Diante desse cenário, optou-se por reunir os próprios responsáveis pela elaboração da pós-graduação para apresentar explicações técnicas e responder aos questionamentos de forma pública.
O coordenador da especialização, professor-doutor Pedro Braga Gomes — pesquisador com formação em Filosofia, Educação e ampla experiência em processos regulatórios junto ao Ministério da Educação — afirmou que a pós-graduação existe dentro da legalidade e segue todas as normas previstas na Constituição Federal, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), nas resoluções do Conselho Nacional de Educação e demais dispositivos que regulamentam o ensino superior brasileiro. Segundo ele, as instituições universitárias possuem autonomia para pesquisar fenômenos ainda não plenamente compreendidos pela ciência tradicional, desde que utilizem metodologia científica adequada.
Durante sua explanação, o professor ressaltou ainda que o conhecimento científico é um processo permanente de construção e evolução. Para ele, o papel da universidade é justamente oferecer ferramentas para que o estudante desenvolva pensamento crítico, capacidade investigativa e autonomia intelectual, sem impor conclusões previamente estabelecidas.
O coordenador enfatizou que o curso não busca convencer os alunos de qualquer hipótese específica, mas apresentar diferentes abordagens científicas para análise dos fenômenos estudados.
Entre os convidados esteve também o professor Alexandre Rigotti, bacharel, mestre e doutor pela Universidade de São Paulo (USP), que participou da elaboração da estrutura curricular da especialização.
Segundo ele, a proposta reúne conhecimentos provenientes tanto das ciências exatas quanto das ciências humanas, oferecendo ao aluno instrumentos para compreender diferentes interpretações sobre fenômenos frequentemente associados à Ufologia.
Rigotti explicou que disciplinas como Astronomia, Astrobiologia, Metodologia Científica, Arqueologia, Antropologia e Sociologia têm justamente a função de apresentar explicações técnicas para diversos relatos e ocorrências frequentemente classificados como inexplicáveis.
Em muitos casos, observou o pesquisador, fenômenos naturais conhecidos podem esclarecer parte dessas ocorrências. Em outros, permanecem questões abertas que merecem investigação acadêmica séria.
A grade curricular apresentada durante a transmissão contempla disciplinas como Astronomia, Astrobiologia, Metodologia Científica, Comunicação Científica, Geopolítica Contemporânea, História Mundial da Ufologia, Antropologia, Sociologia, Psicologia Transpessoal, Neurociência da Percepção, Pesquisa de Campo, Fenomenologia, Filosofia da Consciência e Trabalho de Conclusão de Curso, compondo uma formação de caráter interdisciplinar.
Outro participante da discussão foi o físico e cientista de dados Gabriel Couto, mestre e doutor em Engenharia de Teleinformática pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Ele enfatizou que sua atuação profissional sempre esteve baseada no rigor metodológico e afirmou que não trabalha com crenças, mas com hipóteses que possam ser investigadas cientificamente.
Segundo o pesquisador, a proposta da especialização é justamente estimular a formulação de hipóteses, a coleta de evidências e a construção de conhecimento por meio do método científico.
Gabriel também destacou que as críticas recebidas pela instituição decorrem, em muitos casos, de interpretações superficiais sobre o conteúdo do curso.
Para ele, a especialização não pretende validar previamente qualquer teoria sobre vida extraterrestre ou fenômenos anômalos, mas oferecer instrumentos para que os estudantes possam analisar dados, confrontar informações e produzir pesquisas dentro dos parâmetros acadêmicos.
Ao longo da transmissão, os participantes reforçaram que a Ufologia, sob a perspectiva proposta pela Universidade Dakila, deve ser compreendida como um campo interdisciplinar de investigação, reunindo contribuições de diferentes áreas do conhecimento.
Na avaliação do grupo, a universidade tem como missão ampliar fronteiras do saber, estimulando a pesquisa sobre fenômenos ainda pouco explorados pela academia convencional, sempre fundamentada em princípios científicos, legais e educacionais.
Ao final da transmissão, para os responsáveis pela especialização, o debate representa uma oportunidade de discutir não apenas a Ufologia, mas também o próprio papel da universidade na produção do conhecimento, defendendo que a ciência evolui justamente quando novos questionamentos são investigados de maneira crítica, responsável e metodologicamente estruturada.
Urandir Fernandes de Oliveira, presidente de Dakila Pesquisas, por sua vez diz que “há mais de 3 décadas Dakila vem trazendo à tona novos e profundos debates, e não é novidade que -a princípio -, os temas sejam tratados com preconceito e até deboche.
Mas, o que sempre garantiu o sucesso dos projetos foi que sempre mantivemos nossos propósitos e a custa de muita pesquisa, vamos avançando até chegar aqui, na criação da UniDakila. Temos certeza de que estamos dando um passo gigantesco, e desta vez ainda mais fortes e estruturados, e vamos obter sucesso também essa nova jornada”, concluiu.


