O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul e o Governo do Estado formalizaram na tarde de segunda-feira, dia 22 de junho, um acordo de cooperação para o desenvolvimento do projeto Papo de Respeito, que utiliza a comunicação como ferramenta para envolver os estudantes em ações de conscientização e enfrentamento da violência contra a mulher nas escolas estaduais.
O termo foi assinado no gabinete da presidência do TJMS pelo seu presidente, desembargador Dorival Renato Pavan, pela coordenadora estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, desembargadora Sandra Artioli, e pelos secretários de Estado da Cidadania, José Francisco Sarmento Nogueira, e da Educação, Hélio Queiroz Daher.
Desenvolvido pela Coordenadoria Estadual da Mulher e pela Secretaria de Comunicação do TJMS, em parceria com as secretarias estaduais, o projeto-piloto reúne cerca de 150 estudantes do primeiro ano do ensino médio de nove escolas da rede estadual. A proposta é inserir o tema no cotidiano das escolas por meio de atividades de comunicação e produção de conteúdo.
Para o presidente do TJMS, a articulação entre as instituições é um dos diferenciais da iniciativa. “A participação da Secretaria de Educação e de todos os envolvidos na construção desse projeto será muito significativa, não apenas para o Poder Judiciário, mas para o próprio Estado de Mato Grosso do Sul”, disse Pavan.
“Temos aqui o embrião de uma iniciativa que pode ser levada a outros Estados da federação e que tem potencial para se tornar uma referência nacional”, acrescentou o presidente.
Metodologia – As atividades começaram com encontros para capacitação de professores e coordenadores pedagógicos das escolas. Na etapa de execução, os estudantes foram divididos em grupos para desenvolver campanhas publicitárias em diferentes formatos, como vídeos para redes sociais, carrosséis digitais e peças para outdoor e busdoor.
Ao final, cada escola fará uma seleção interna e poderá inscrever um trabalho por categoria. As produções vencedoras serão premiadas e passarão a integrar as campanhas de conscientização do TJMS.
Na avaliação da desembargadora Sandra Artioli, os adolescentes vivem uma fase decisiva de formação e, muitas vezes, reproduzem comportamentos violentos sem perceber. Por isso, a escola é vista como um espaço estratégico para discutir o tema. “Precisamos abordar esse tema em uma linguagem que eles gostam e entendem, para que se tornem multiplicadores de uma cultura de respeito e de enfrentamento à violência contra a mulher”, destacou a magistrada.
A metodologia adotada no projeto foi apontada pelo secretário de Estado de Educação, Hélio Queiroz Daher, como um dos pontos centrais da proposta. “Não se trata de uma ação isolada. A discussão sobre a violência contra a mulher passa a integrar o currículo e o processo de aprendizagem dos estudantes. A premiação é importante, mas o grande legado do projeto é o debate que ele promove dentro das escolas”, afirmou.
Para o secretário de Estado da Cidadania, José Francisco Sarmento Nogueira, o enfrentamento à violência contra a mulher demanda uma mobilização permanente e coletiva. “A violência contra a mulher não está restrita a um grupo social, ela atravessa toda a sociedade e exige que diferentes instituições se unam para enfrentar o problema de maneira efetiva. É um tema que exige diálogo, união de esforços e ações permanentes”.
Também participaram da assinatura do acordo o juiz substituto em segundo grau Alexandre Corrêa Leite; a juíza auxiliar da Presidência, Joseliza Alessandra Vanzela Turine; a juíza auxiliar da Vice-Presidência, Simone Nakamatsu; a subsecretária de Políticas Públicas para Mulheres, Manuela Nicodemos Bailosa; e a juíza convocada Cinthia Xavier Letteriello.


